18 Julho, 2011

O Sol Nasce Para Todos



Por que o ser humano sente inveja? De onde advém esse asco que infelizmente todos nós possuímos e que brota desde a mais inocente até a mais devastadora forma, se alimentando e crescendo com o passar do tempo somente no simples motivo de querer a si, coisas que são méritos de outrem.

Este sentimento de aversão ao que o outro tem e que a própria pessoa não o tem. Gera o desejo de ter exatamente o que a outra pessoa tem (podendo ser tanto coisas materiais, como qualidades inerentes ao ser) e de tirar essa mesma coisa da pessoa, fazendo com que ela fique sem. É um sentimento gerado pelo egocentrismo e pela soberba de querer ser maior e melhor que todos, não podendo suportar que outrem o seja.

Eis como se uma chaga fosse, a inveja é um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará á inveja. A sobrevoar os pensamentos mais íntimos tal qual um urubu insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.

Contudo, uma ressalva deve ser feita. Deve-se saber diferenciar a inveja e a cobiça, da busca do bem-estar e do aprimoramento pessoal. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo, somente por neste se espelhar. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

O mais incrível, é o poder de destruição que a inveja causa quando somada a mais dois sentimentos humanos. A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra, pois, ao se considerar mais merecedor do que o próximo que tenha algum objeto, virtude, etc, imaginando que seria mais justo que aquilo fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem proporcionado pela inveja e multiplicado pelo orgulho e a vaidade.

A cada pessoa, cabe saber potencializar a sua inveja. Não a torne um sentimento torpe capaz de destruir a vida de outrem. Não a tenha como o simples motivo de querer ser melhor que alguém. Muito menos para sentir-se orgulhoso em sua soberba. Napoleão afirmou certa vez, que a inveja é um atestado de inferioridade do ser. No todo ele está correto, chances por mais que sejam diferentes todos possuem, bastam que se saiba aonde e como buscá-las. Afinal até que se prove o contrário, o sol nasce para todos.

*OBS: Créditos de inspiração ao texto a uma frase que a grande amiga Thássi postou em seu mural em uma noite da semana passada...

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