
A vergonha advém ou é criada após uma desonra humilhante, um opróbrio. Algo que mexe com o brio, a honra ou a dignidade. Aquele sentimento pesado e penoso criado com a desonra ou humilhação passada perante a outrem, o popular vexame, ou uma afronta. Pode ser baseada também na timidez, no acanhamento que a pessoa guarda em si. É intrínseco também ao seu pudor, o fato de ver/ouvir alguns atos ou palavras obscenos, indecorosos ou vexatórios.
Essas palavras que resumem o que é vergonha servem também para resumir o que sinto em relação a minha religião. Não sinto vergonha da fé que possuo, ou por não acreditar em toda a santidade de Cristo, muito menos por acreditar que Deus existe. Minha vergonha reside nesse sistema humano e falho que fora criado e chamado de religião.
Acho que não se precisa aprender a ter fé, ou necessitar que alguém lhe facilite ou o auxilie na busca pela sua. Afinal a essência da fé é o amor. Amor por tudo e todos, se deve amar a Deus, aos próximos, as coisas, os animais, tudo. Pegando a Bíblia, essa não diz em momento algum que devemos amar a nós mesmos acima de tudo, mas hoje em dia é o que a religião mais tem feito. Suas pregações, sermões, dicas de boa conduta e etc, que pregam a vitória financeira, as curas, a necessidade das pessoas estarem bem para poder ganhar cada vez mais dinheiro, de que servem? Quais as suas reais intenções?
A verdade oculta atrás dessas intenções, ultrapassam o simples motivo de que os senhores da religião nos querem bem. Se tudo fosse feito na simplicidade que as coisas deveriam ser, nada disso seria necessário e tudo seria diferente. Sinto um asco por ter sido “formado” um cristão dentro de uma igreja que prega em prol próprio e que com isso enriquece e abusa da ostentação. Cada igreja cristã possui a sua maneira de pregar, mas todas em si esqueceram o motivo principal pelo qual existem (o que não quer dizer que sejam necessárias).
Um dos pilares da igreja cristã é a humildade. Mas pare e pense um momento. Onde está essa humildade ultimamente? Jesus Cristo que empresta o seu nome a esta religião e seria o seu “fundador” não se sentiria bem se vivesse em nossa era. É muita riqueza, tecnologia, coisas com valores muito elevados e ostentadores, muito terno e gravata. Ficaria com vergonha de entrar num desses templos de outras “seitas” cristãs e pensaria “Caralho galera! Vocês traíram o movimento!”. Os fiéis (sustentadores da igreja) ao sair da igreja seriam, ou tentariam ser olhados por Cristo, mas o Insulfilm de seus carros o impediria. Bem como, ao tentar nos falar “não ajuntais tesouros e os ostente”, o volume dos Ipods ou dos potentes alto-falantes dos carros, os impeçam de ser ouvido.
Alguns outros cristãos das outras seitas gastam milhares de reais para manter programas de televisão no ar. Esses programas são simplesmente, torres de Babel dos tempos modernos, pois somente servem para tornar conhecido e fazer o nome do apresentador que já no programa, conclama seus fiéis para que contribuam com a sua igreja que tanto os ajudar a mediar sua fé, para que está possa abrir as portas do céu, da salvação e da fé para todos. Esse dinheiro não tem nenhum outro destino a não ser a ostentação, pois não gera desenvolvimento, não mata a fome, não veste, não instrui, em suma, não acrescenta nada aos fiéis, a não ser a falsa idéia de que assim estão aplicando a sua religiosidade e sua fé.
E os condutores da fé alheia, seguem em seus templos faraônicos, com suas oratórias invejáveis, suas vestimentas impecáveis. Fazem curas e milagres a frente dos bestializados ignorantes. Um que outro, mas com o simples motivo de ostentar sua popularidade sai as ruas, entra em lugares onde o demônio toma conta, onde o Satanás é o dono. È mais prático, fácil e aconchegante ficar na “casa de Deus”, com aquela música melancólica de fundo, o ambiente de emoções que se cria com a fé do povo.
O cristianismo se fundou na crença de que Jesus Cristo é o filho de Deus e que para salvar as pessoas da terra, ofereceu-se a morrer por elas. Não julgo errado quem acredita nisso. Afinal, todos precisam de algo em que acreditar, algo para direcionar a sua fé. Pra mim Jesus fora mais um “privilegiado” com uma sabedoria a frente dos homens do seu tempo. Fora olhos que viu coisas que outros milhares de olhos não viam, ou se viam, não possuíam algum dom maior que pudesse levá-los a frente. Jesus fora um iluminado, assim como foram Moisés, Buda, Maomé, Newton, Da Vinci, Lutero, Joana D’Arc, Descartes, Rousseau, Einstein, Che Guevara, Gandhi, Marthin Luther King, entre outros.
A fé exacerbada cega as pessoas e as deixa ignorantes. A falta dela torna as pessoas mais fracas, sem esperanças. O que resta a cada uma é escolher o rumo da sua fé, saber o poder que ela tem e não procurar algum facilitador pra poder encontrá-la. E nunca, mas nunca deixe de tê-la, por menor que você ache que ela seja. Não existe fé grande ou pequena, basta você saber, até onde vai a sua fé.
*OBS: Fui formado Católico Apostólico Romano, fiz a Eucaristia e a Crisma e todo os pormenores da Catequese. Após terminar a mesma, se fui 5 vezes a uma igreja foi muito, mas nem por isso acho que possuo menos fé do que aqueles que vão com maior frequência. Só acho que quem sabe da minha fé sou eu mesmo e não preciso de alguém que me faça tê-la de maneira diferente daquilo que acredito.
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