20 Julho, 2011

As Amizades Que Encontramos no Caminho



Sabe aquelas noites onde quando menos percebemos estamos em uma mesa de bar, a conversa franca impera no ambiente, os risos rolam soltos, segredos são revelados, histórias relembradas, os medos e sonhos se confidenciam, o saudosismo as velhas e passadas coisas remetem aos mais diversos sentimentos.

Essas noites somente são possíveis graças aos bons e velhos amigos. Aqueles os quais são essenciais em nossas vidas. Por vezes somente passam em nossas vidas, mas mesmo assim tornam-se marcos, pois representam ao ser humano ciclos e momentos de sua existência. São a prova irrefutável, pura e simples de que as coisas verdadeiras perduram ao longo dos anos em que existimos. As amizades não envelhecem assim como acontece as pessoas, o corpo, a mente o espírito muda, mas o sentimento da amizade, este é imutável.

Claro que existem aquelas amizades um pouco meteóricas, que aparecem em nossas vidas e logo somem sem deixar rastros. Existem aquelas que ao longo dos anos somente vão crescendo e se tornando cada vez maiores e importantes. Outras por vezes nos enganam em um primeiro momento e evoluem para outro sentimento. Este outro sentimento pode ser o amor, pois passa-se a admirar a pessoa e a querê-la de outra maneira ao seu lado, buscando conviver de maneira ainda mais aproximada e importante na vida. Outras podem evoluir a sentimentos torpes, causadas principalmente por intrigas e outros que maculam a instituição amizade.

Aos poucos o círculo muda, se renova, revive. Amigos mudam de endereço, encontram o amor de sua vida e não mais podem dar tanta atenção como antes puderam, alguns infelizmente podem partir dessa vida por fatalidades. Outros em contra partida chegam, mudam nossos ares, renovam nossos votos e podem acabar agregando novos amigos que vão se juntando ao grupo.

Amigos de verdade comentam sobre tudo e falam sobre nada. Criam risadas involuntárias brotadas de uma simples besteira. Gargalhadas memoráveis advindas de choros e tristezas passadas. Imaginam o mundo ao seu jeito, recriam a realidade, viajam em pensamentos e experiências que talvez nunca vivam. Aponham-se mutuamente sem nada esperar em troca, somente pelo simples motivo da amizade. Ajudam a crescer, evoluir, a viver a vida de uma maneira ímpar, servindo de olhos, ombros e ouvidos amigos onde se fizerem necessários.

Existem pessoas que acreditam que as amizades envelhecem com o passar dos anos, perdendo a sua cor, seu brilho, sua vivacidade e necessidade pela simples ausência ou o descaso das presenças, antes tão comuns, e rotineiras e agora quase escassas. Pensamento um tanto mesquinho e egoísta penso. Uma vez que infelizmente as vidas de cada um seguem aos seus próprios ritmos e batidas. As agendas e horários disponíveis não mais se cruzam e sempre se conflitam, tornando quase impossível, aqueles rotineiros encontros. Talvez possa ser de certa forma um pouco normal esse sentimento, pois nessas horas percebe-se que os sentimentos que foram depositados nos outros se vão com eles. Porém, cabe à cada um, ter a inteligência e o discernimento necessário para respeitar a liberdade daquele que apenas segue a sua maratona existencial.

Os amigos namoram, noivam, casam, mudam de profissão, de vida, de cidade e aos poucos ao longo deste ciclo, o ser humano fica enlutado por aqueles que infelizmente se afastaram, e principalmente por aqueles que inevitavelmente passarão a ser lembrança ou apenas uma foto que fora captada em segundos, revelando vidas e histórias de anos áureos passados. Mas, assim são as verdadeiras amizades, sempre voláteis, mas por vezes nem sempre presentes. As amizades se vão, viajam, ficam anos em outros lugares, mas o que mais surpreende, é constatar que o sorriso do amigo é o mesmo ou até melhor quando da volta, pois de alguma maneira, nada mudou.

Hoje em dia posso dizer que possuo amigos de variados tipos. Poderia me dar ao luxo de colocar isso, como se fossem amigos de safras diferentes, como aqueles bons vinhos que tanto admiro e que se tornam excelentes pela diversidade e riqueza que possuem. E ao escrever esse texto, percebo essa diversidade existente em cada safra. As ideologias mudam, os comportamentos mudam, mas de alguma forma acabo atraído para próximos deles, pela simples e fugaz razão de que o sentimento amizade a todos é igual e não muda, mesmo que por vezes descobrimos que amigos falham e erram e que estes não são seres perfeitos, afinal são apenas seres humanos, suscetíveis a tais falhas e erros, mas que nem por isso deixam de serem amigos, pois a perfeição não é algo que busco em mim mesmo, o que dirá a ser primado nos outros.

Ao mesmo tempo deste devaneio supra-exposto, uma onda de saudosismo me tomou conta. Foi como se tivesse voltado no tempo, lembrar de todas as madrugadas ou todas as outras vezes que fui agraciado pelas conversas amenas ou acalentadas, e por muitas vezes delirantes, mas os sorrisos e as gargalhadas, essas foram e sempre expressaram a pura verdade de que amigos são os irmãos que escolhi ter e com isso, sempre existirão na lembrança os bons tempos. Os grupos da escola, os amigos de trabalho, as pessoas que conhecemos acidentalmente, mas que entram em nossas vidas de jeitos e maneiras ímpares. Sempre existirá a velha e instintiva figura dos intocáveis do “Clube do Bolinha”. Sempre existirá a perplexidade de ver que a vida prega muitas peças, mas que de certo modo não falto com a verdade ao afirmar que sempre terei os mesmos amigos por perto para poder rir, chorar, desabafar e por fim, comemorar as coisas que de boas me acontecerem.

O que simplesmente torna a vida tão interessante e tão cheia de coisas boas? Existem várias explicações. Falo por mim, mas certamente para muitas outras pessoas também em todas as explicações cabíveis, aparecerão de maneira essencial as amizades que encontramos no caminho.

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