14 Junho, 2011

Quantas Vezes Mais



Quantas vezes me fiz essa pergunta na vida? Quantas vezes você se perguntou isso também? Por que será que temos essa necessidade de querer saber se algo irá acontecer novamente com a gente ou não? Motivos óbvios apontariam a simples fatos, a consciência dos sentidos e valores pessoais que damos a estas coisas. Motivos já não tão simples apontariam aos sentimentos passionais e inconscientes como forma de explicar o porque de querermos saber se vamos ou não ter certas coisas em nossa vida novamente.

Fatos conscientes são simples de serem explicados. Aquilo que pensamos ou achamos das coisas nos fazem ter a necessidade de querê-las ou não. Cada coisa assim possui o seu sentido e tem o seu valor. Muitos adoram o verão e se perguntam quantas vezes mais na vida terão a oportunidade de vivê-lo. Alguns se perguntam quantas vezes mais, políticos corruptos e vergonhosos irão tomar conta de nosso país sem o devido cuidado e zelo necessário. Exemplos existem infinitos. Pense naquelas coisas simples que você vê e passa todo dia. Quais delas você quer repetir todos os dias, quais delas você odeia e gostaria de não mais presenciá-las ou tê-las em sua vida. Que valor você dá a vida? A sua vida, a vida dos outros. Que sentido tem para você saber que pessoas passam fome todos os dias sem nada para comer e que sentido tem para você o desperdício?

Esses valores e sentidos têm a sua base, na educação que tivemos de nossos pais, a influência do local onde fomos criados, nossa formação escolar e nossa formação moral com a sociedade em que vivemos. Esse valores podem ser trabalhados. Você pode ter certos valores e adicionar mais deles a sua vida. Você pode possuir valores, e perdê-los com o tempo por descrença ou algo que lhe abriu os olhos.

Sentimentos passionais e inconscientes são aqueles que surgem no momento, muitas vezes ficam guardados em nosso intimo. Usando de palavras mais sentimentais, seriam aqueles sentimentos que vem do coração. Aquilo que nos faz perder o ar, ferver o sangue, tomar atitudes impensáveis. Este sentimento aflora dos mais variados jeitos e nas mais variadas situações. Uma lembrança, uma palavra, uma ofensa. Algo que lhe toca lá no intimo, busca no seu interior uma explicação ilógica e lhe faz tomar uma atitude, ou abster-se dela. É um instinto animal, por vezes incontrolável outras vezes tão suave e confortante.

A proteção da honra, da prole, das demais pessoas que você nutre sentimento, seja ele qual for. Aquele amor ou paixão que bate sem explicação. De alguma forma que você não compreende, você se pega tendo atitudes. Pergunta-se talvez na hora ou no posterior “Como pude fazer isso?”, “De onde veio essa coragem?”, “Quantas vezes mais isso acontecerá e por quê?”, “Quantas vezes mais meu coração irá disparar dessa maneira?”.

Uma vida que se leva só com coisas boas é uma vida fútil. Uma vida sofrível demais é desgastante. Mesmo não passando por coisas boas sempre, prefiro levar a vida assim, levando tombos e levantando as vezes que forem preciso. Cada vez que me perguntar e a cada vez que receber a resposta, terei a certeza que estou vivo, que estou vivendo a minha vida. Quando as coisas ruins vierem, passarei por elas e utilizarei como degrau na escalada da vida. Quando as coisas boas vierem, o melhor a fazer é aproveitá-las ao máximo. Isso é dar valor a vida, isso se chama viver. Por isso, independente de ser algo bom ou ruim, não pare de se perguntar “Quantas vezes mais?”

*OBS: Idéia/Título inspirados ao ouvir a música "How Many More Times" do Led Zeppelin...

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