
Numa manhã fagueira de segunda-feira onde o frio dava seu ar da graça e o solito desse pampa gaudério vinha afagar os efeitos do outro, estava a trabalhar na elaboração de alguns planos de sessão para umas instruções a tarde com os recrutas e escutando um bom e velho rock n‘ roll. Eis que num destes saudosos sons, a música Another Brick in the Wall do Pink Floyd começa a ecoar no player.
Na reprodução da mesma, um devaneio me fizera perder a atenção no que estava fazendo e me fez refletir sobre seu título e sua letra. Ultimamente as pessoas em sua grande maioria estão exatamente ao sabor do título da música. As coisas passam e acontecem, e elas lá, com aquele sentimento de que não é comigo, de como se as coisas que estão ao seu redor não existissem, como se em uma toca ou caverna vivessem, isoladas do mundo.
A letra da música fala em “Nós não precisamos de nenhuma educação/Nós não precisamos de nenhum controle de pensamento/Nenhum humor negro na sala de aula/Professores, deixem essas crianças em paz” referindo não exatamente a educação em si como algo ruim, muito pelo contrário, pois só a educação de qualidade é que alavanca uma sociedade, a educação que a música trata, seria aquela educação voltada a um pensamento, ou melhor, a uma linha de pensamento. Somente aquele raciocínio estaria correto. Os outros são apenas devaneios, ou momentos de insanidade das pessoas. É isso que as pessoas que possuem o controle do mundo esperam de nós. Que sejamos apenas marionetes de suas mercês.
Querem nos ver comprando seus produtos, pois eles trazem status, trazem satisfação pessoal. Querem ver a população bestializada, ignorante, largada as trevas, pois assim ficam mais fáceis e suscetíveis de serem controladas. Se todos pensarem da mesma maneira, irão possuir em suas mãos a vida das pessoas, que nada mais é que a sua maior riqueza. Políticos roubam milhões do erário público todos os dias. O povo age como se isso fosse uma coisa comum, típica do brasileiro, afinal, não devolver o troco dado errado, uma carteira com dinheiro e documentos importantes ou um simples aperto de mãos e algumas palavras ditas com sinceridade são coisas de malandro, de cara esperto.
Esperto até qual ponto? Ao ponto de aproveitar umas moedas a mais para gastar em besteira? A ponto de gastar o dinheiro suado de um trabalhador que numa infelicidade perdeu sua carteira? Acho que isso não é agir com inteligência ou ser esperto. Em minha opinião, ser esperto é ter visão das coisas. Saber que aquele dinheiro que fora achado fará falta a alguém, saber que o aperto de mão e a palavra honram muito mais do que qualquer documento ou lobby negociado.
Mude seu pensamento, abra sua mente. Deixe-se levar pelo sentimento da revolta. Em determinados momentos, solte o Che Guevara ou o Gandhi que existe em você. Faça as coisas acontecerem, não as deixe acontecer. Mostre que sua vida é você quem faz e dela decide. Escolha seu governante/representante pelos atos que ele fará em prol de sua sociedade, de seu bairro, sua cidade. Escolha produtos que realmente lhe trazem satisfação pessoal e comodidade. Escreva aonde quer que seja a sua vontade, deixe-a a mostra de todos.
Se somente puder revoltar-se dando uma tuitada, tuite. Se puder escrever um texto num blog, ótimo. Se for um formador de opinião com uma coluna num grande jornal de circulação e divulgação regional, melhor ainda. Se tiver um programa na TV, podendo falar a todos aqueles que dos outros meios não dispõem, excelente. Se puder organizar/participar de uma passeata, nossa, parabéns mesmo. Enquanto o sol não brilhar, acenda a sua vela na escuridão, faça-a brilhar mais forte do que você imagina, brilhe o seu diamante louco (Shine on Your Crazy Diamond, outro clássico do Floyd). Não se sinta menosprezado e impotente, muito menos um louco ou herege pelos seus pensamentos e atos. Temos como sair á luta. Possuímos o poder para tal e as armas necessárias a isso somos nós mesmos, só nos basta acreditar. Do contrário, a vida passará, e continuaremos apenas como outro tijolo na parede.
0 comentários:
Postar um comentário
Agradecemos seu comentario.